It's a Sin - A série que fala de Sida e pessoas homossexuais nos anos 80.




It's a Sin é uma das séries mais recentes da plataforma de streaming, HBO. Esta série de apenas cinco episódios, na qual os temas chave são o próprio HIV, Sida, a homossexualidade, as relações de afeto, a incerteza experienciada, comportamentos promíscuos e o próprio sexo, na cidade Londrina.

Apesar de o próprio cenário se prender na cidade de Londres, podemos retirar desta fabulosa série, o clima de incerteza e de medo experienciado, nomeadamente para pessoas homossexuais acerca do vírus, ainda desconhecido, que se espalhava por todo o mundo.

É importante falarmos desta série porque também nós estamos, atualmente, a viver um ambiente pandémico.

Esta série vai acompanhar o percurso de crescimento e de autoconhecimento de diversas personagens, maioritariamente homens gays, que vivem no mesmo contexto. Além disso, no nosso ponto de vista, é importante referir que todas as personagens que englobam a série, estão diretamente e indiretamente em representação de determinadas figuras da sociedade: pessoas afrodescendentes, pessoas que são de uma determinada religião, emigrantes, diversas pessoas com as mais diversas expressões de género, homossexuais, etc.





Pensa-se que o vírus surgiu, inicialmente, na década de 20 do século XX, na República Democrática do Congo e em outras partes do continente africano. Foi em 1981, nos Estados Unidos da América, que vírus HIV (Vírus de Imunodeficiência Humana) é considerada doença. Os primeiros casos nos EUA, surgiram de uma amostra de pacientes homossexuais de São Francisco e Nova York. Tal acontecimento levou à crença, erradamente, que o vírus provinha apenas da comunidade homossexual. Antes da comunidade cientifica intitular o HIV como, passo à redundância, ao HIV, intitulavam este mesmo vírus como GRID - Imunodeficiência relacionada com Homossexuais. Durante todo este período inicial, de descoberta do novo vírus, que se espalhava pelo mundo, diversas crenças surgiram na sociedade com cunho homofóbico, transfóbico, machista, sexista, xenofóbico, entre outros, considerando assim, o HIV, antes intitulado como GRID, um vírus que tinha sido provocado por homens que tinham sexo com homens.


Em 1986 é descoberto a segunda tipologia do HIV, denominado HIV-2. No entanto, é o HIV-1 que é mais prevalente no mundo. Enquanto que o HIV é categorizado como um virús sexualmente transmissível, a SIDA é uma fase avançada, considerada como doença crónica, que necessita de tratamento ao longo da vida. Após a Organização Mundial da Saúde, declarar o HIV e também a SIDA, como uma pandemia, que os comportamentos a nível sexual começaram a ter mudanças significativas. No entanto, não é de admirar que qualquer pessoa que recebesse um resultado positivo ao teste de HIV, o percecionava como uma sentença de morte, uma vez que ainda não existiam tratamentos eficientes para combater ao próprio vírus.


Os anos 70 e 80, foram consideradas as décadas da revolução e exploração sexual, onde surgiram várias correntes do pensamento, que visavam a luta das relações sexuais fora do casamento, o uso de preservativo, meios de proteção durante o sexo, mitos sobre o sexo, nudez em público, a ascensão dos movimentos LGBTQI+, legalização do aborto, entre muitas outras. Foi o momento, no fundo, nas sociedades ocidentais de um processo de Coming Out, em relação à sexualidade, identidades e ao próprio corpo.


(Imagem retirada do filme - Its a Sin, 2021)


A série It´s a Sin mostra-nos diversos tipos de comportamentos e atitudes das personagens, desde os relacionamento monogâmicos, aos relacionamentos casuais. Dá-nos uma visão das relações sexuais desprotegidas, o abuso de substâncias e álcool, os métodos contracetivos, e sobretudo mostra-nos que não é preciso ter múltiplos parceiros sexuais para contrair doenças sexualmente transmissíveis.


Em termos psicológicos é importante referir que, toda esta série nos faz pensar sobre o medo, a frustração e o grau de elevada incerteza que as pessoas que vivenciaram este período sentiram. Além disso, ir realizar os próprios testes do HIV, trazia preconceito e estigma associado, tanto no interior da pessoa como do próprio corpo médico. Ainda hoje sente-se um pouco esse estigma. Muitos casos, após receberem diagnóstico de SIDA, preferiam cometer o comportamentos suicidários.


É de grande relevância falarmos aqui no papel das mulheres como cuidadoras, algumas delas lésbicas, dos homens homossexuais, nessas décadas. A única mulher que nos aparece na série teve um papel preponderante e de muita importância no acompanhamento dos seus amigos e companheiros de casa, procurando por todas as vias, informação fora e dentro de Londres, sobre o HIV e da própria SIDA. Muitas destas cuidadoras, resilientes, empáticas e altruístas, fizeram parte do corpo de voluntários dos hospitais que tratavam a SIDA, algumas eram enfermeiras, médicas, assistentes sociais, psicólogas, que procuraram, de certa forma, contribuir para o bem-estar físico e psicológico das pessoas com HIV/SIDA. Também elas merecem o devido reconhecimento no tratamento e no combate a este vírus.


Link do Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=hnR5DxP2e2g