Vítimas de Violências



Cada vez mais a Violência Doméstica é abordada e vista nos meios de comunicação social, como um crime. Segundo dados recolhidos pela APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) foram auxiliadas, apenas em 2019, cerca de 29.816 pessoas sendo que, de acordo esses dados, 28.602 (95,9%) foram realizados como crimes contra pessoas. A APAV registou um total de 11.676 vítimas de crime sendo, maioritariamente, vítimas do género feminino. Dos crimes realizados contra pessoas destaca-se a Violência Doméstica, Ameaças e Coação, Pornografia de menores, difamação/injúrias, denúncia caluniosa, violação da obrigação de alimentos, Dano, ofensa à integridade física, cibercrime, assédio sexual e bullying.

As Vítimas são, na sua maioria, do género feminino, e encontram-se no intervalo de idades entre 25 e os 54 anos tendo, surpreendentemente, as vítimas o ensino superior como nível de escolaridade.





O crime de Violência de Namoro e Violência Doméstica é então, claramente, visto como um tipo de Violência de Género. A violência de género necessita de ser vista como um crime de Direitos Humanos, sobretudo quando falamos dos Direitos das Mulheres. De destacar que, quanto maior for a Interseccionalidade, maior será o risco de as vítimas sofrerem qualquer tipo de violência e/ou opressão.

Não nos podemos esquecer que quando ocorre qualquer tipo de violências, nomeadamente, em relações de intimidade, deparamo-nos com um cenário onde existe uma desigualdade de poder na relação, levando o agressor a utilizar meios violentos, como forma de sentir poder e controlo. Quando tal acontece, estamos perante uma situação de Relação Abusiva Tóxica, sobretudo, para a vítima. Quanto maior for a exposição a este tipo de violências, maiores serão as consequências físicas, psicológicas, emocionais e sociais ao longo da sua vida. Não é de esperar que, em média, as vitimas demorem cerca de 6-8 anos a denunciar as situações pelo qual passam e/ou vivenciaram.



Como já foi referido, anteriormente, a Interseccionalidade, é um ponto fundamental para se compreender, também, a prática destas violências. No fundo, este conceito, criado por Kimberlé Crenshaw (1989), já encontrada, anteriormente, na corrente do pensamento feminista negro, refere que o mesmo é considerado uma ferramenta poderosa para identificar como as identidades e opressões funcionam nas sociedades. Não é de estranhar que, por exemplo, exista muito mais opressões e violências em mulheres ou homens negros, com uma identidade de género não conforme, do que homens e mulheres cisgéneros e heterossexuais. A Interseccionalidade mostra como estas opressões são institucionais e sistémicas.

Nunca nos devemos, portanto, esquecer destas opressões e ciclos de violência, onde, num primeiro momento existe um aumento de tensão, depois um ataque violento e, por último, a fase descrita pela literatura como, Lua-de-mel.


(Imagem retirada da Associação APAV)


Quanto mais consistentes e repetitivos forem estes ciclos maior será a fragilidade da vítima. Por vezes, pelo senso comum, nos perguntamos, porquê que nos mantemos numa relação tóxica e negativa ou porquê que determinada vítima se encontra numa relação onde exista violência? Porquê que se mantêm naquela relação?

Existem diversos motivos como, por exemplo, dependência económica; por vários tipos medo, sobretudo medo de represálias ou deceções; sentimentos de vergonha; por sentir amor pela pessoa que realiza atos de agressão; pressão social, nomeadamente, por parte de familiares ou amigos; ou esperança que a outra pessoa mude o seu tipo de comportamento.

No fundo, os ciclos de violência tendem a aumentar de frequência e gravidade. Posteriormente, os riscos e consequências aumentam tornando as vítimas cada vez mais indefesas e frágeis. A vítima começa a sentir perda de autoconfiança, autoestima e autocontrolo, levando a sentimentos de impotência e, consequentemente, a um desânimo aprendido.


Caso sejas vítima de algum tipo de violência ou conheças quem seja, denuncia!




Lista de algumas Associações e Instituições de luta contra a Violência


APAV (Associação de Apoio à Vítima) - https://apav.pt/

CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) - https://www.cig.gov.pt/servicos/servico-de-informacao-as-vitimas-de-violencia-domestica/

Espaço Júlia - https://www.jfsantoantonio.pt/index.php/projectos/espaco-julia

Amato Lusitano - http://www.amatolusitano-ad.pt/projetos/projetos-em-execucao/estrutura-de-atendimento-a-v%C3%ADtimas-de-viol%C3%AAncia-dom%C3%A9stica/

Gabinete de Apoio à Vitimas de Violência no Namoro - https://www.ismai.pt/pt/unidades-de-apoio/gabinetes/gabinete-apoio-violencia-namoro

Casa Qui - https://www.casa-qui.pt/